quinta-feira, 10 de agosto de 2017

O tempo





O tempo era um sonho de quando eu era criança e brincava no poço de Jacó. O tempo era o desespero da casa amarela. O tempo fechado de quatro partes de um fruto que eu despedaço.

O tempo no escuro do mato. Não amo. Não mio. Não meio. Meço. Muito tempo. Pouco. Santo Agostinho. Não quero. Abuso. Não pude abraçar. Cheguei tarde. A terra era escura. O tempo da janela. Não vi seu rosto. Não vi o meu.

O tempo na traça. Mordendo meu calcanhar. Bruxa. O tempo da louca. O tempo da vespa. Uma nesga no vestido de chita. O tempo molhando o poço de Jacó, aquele que dormiu com a cabeça na pedra. Eclesiástico.  O tempo da casa. Poeira no espelho. Estou dormindo embaixo do balcão. Minha tia grita. “Um cão foi atropelado!” Não era eu. Nem era você.


Patricia Porto