quinta-feira, 13 de julho de 2017

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ela era pluma, eu peso
ela dia, eu noite absurda
ela o dorso, eu a sentença escusa
todas as horas nuas
todas as vias sujas

ela crua, eu triste
ela dança, eu norte
ela crença, eu nadando em abismos
ela celophane, eu escrevendo no chão
ela dançando no chão
eu cuspindo no chão
ela olhando pra cima
esperando uma espaçonave
eu comendo no prato
sem receios de fazer doer

ela foi para o paraíso, pluma
eu nem fui visitá-la, peso

Patricia Porto