domingo, 22 de maio de 2011

Nove luas de Luiza.

Vários, Gustav Klimt.

O amor sorriu acolhimentos,
alimento de mãe que aninha o coração.
O som-silêncio de chuva,
toda conjugada a doar,
e esperar, e crer...
Nove luas tão cheias,
Menina-mãe dos meus olhos,
luz-farol pro vento frio da vida,
luz que acende a casa e o porto
de todos os elementos em grãos.
Nove luas de Luiza,
novecentos motivos e maneiras
pra viver de novo a embarrigada do tempo,
pra cantar o azul das águas de beber
e dividir a direção em muitas.
O Amor sorriu, calmo, beirando respostas
de mansinho, paciência...
colando estrelas num desenho de criança,
eu vi de perto nuvens, cavalinhos, arco-íris,
uma floresta de árvores de maçãs
e um sol de raios guardando todo um sonho
que eu vivo acordada, enluarada,
amada, amando em duas.

Patricia Porto

quarta-feira, 4 de maio de 2011

AniversáRIOS.


Imagem: Henri Cartier Bresson, Armenie, 1972.



Um ano se iniciou.
Para quê?
Só tu bem sabes - e tua casa, tua varanda aberta
para a janela do mundo e do assombro!
Assombra-te então!
Lança-te a desconhecer de tudo
sem poupar nenhuma pele,
sem ornamentos ou prisões.
Gasta horas, dias a descobrir de todos - como o riso -
feito criança a compreender essa gente que se encanta do fácil.
Lá na chegada do tempo da reinvenção,
se pode avistar uma mão acenando
para o teu regresso e ida ao encontro de:
novos (velhos) sabores,
novos (velhos) desejos,
novos (velhos) sentidos,
novas (velhas) partilhas -
de ti (surpreso) no mundo imerso
- teu corpo inteiro,
- tua alma imensa.
Teu corpo humano é de rosas e pomares,
doçuras de uma nova estação de promessas.
Abraça! Celebra! Mergulha!
Peca de esperança a festa dos teus sonhos!
E diz pra aquele menino lá atrás, te acenando de voltas:
as palavras secretas que te fazem nascer de novo.

Patricia Porto