terça-feira, 16 de novembro de 2010

Intensamente.

Imagem do filme "Sobrevivendo com Lobos".

Preciso mudar,
ser outro, mergulhar no outro.
Ser do outro um mundo avulso.
Preciso aceitar,
cruzar o peito e a estrada
com facas afiadas de combate.
Preciso deixar partir,
sepultar a velha vida gasta,
o tempo morto,
o torto escudo de proteção.
Preciso pegar o caminho
de ida sem voltas,
sem desvios fáceis,
sem cabanas de salvação
Preciso ouvir o lobo
que vive dentro do novo,
que grita dentro do espelho
em desesperos de lúcido afeto.
Preciso correr contra a fuga,
romper velhos costumes,
enterrar com as próprias mãos
os velhos amores -
os sem sentido de direção.
Preciso atender o lobo,
esquecer o veto
e a rejeição que há no medo
de apanhar do Pai.
Preciso acreditar que o óbvio
é a transgressão das margens,
a glória dos seres marginais!
O óbvio é o encontro com as chagas
do corpo - sem custos de passagem,
sem pesos de culpa ou maldição.
Preciso encontrar o lobo.
Dizem que ele é o suspiro da noite,
o intenso da terra, entre as trevas a luz!
Preciso Ser do lobo a face mais limpa,
a mais próxima da fonte,
ser o rio, o vale, o sopro – e por fim -

O nada. Ser nada e ainda assim Ser parte de tudo.

Patricia Porto