terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A boca ainda apavora


A boca ainda apavora

E se o horror de estar consciente
for passar pelos lugares comuns
da miséria humana
numa cena de pequenos clichês?

mas sei que há de encontrar sua vastidão
do outro lado da porta, a louca

há de encontrar o seu outro meio
do outro lado da gota, a lágrima

há de encontrar o seu outro respiro
do outro lado da vírgula, o eu

e a boca rindo, assim
cheia de dentes,
ainda apavora

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ano Novo


Um ano se iniciou
Feito a fruta pronta para a boca,
Então come desse fruto
E peca o sabor indescritível da chegada.
Porque plantastes sonhos no realizar
E amontoaste como coisas velhas em cantos
os vastos das horas vindas.

Cobre então o teu corpo humano de rosas e pomares,
Doçuras de uma nova estação de promessas.
Para quê? Só tu bem sabes, tua casa, tua varanda aberta
Para o mar do mundo e do assombro.
Te asombra!
Lança-te então a desconhecer,
não poupe nenhuma pele.
Veja a jangada nas ondas fluxas de um tempo límpido,
Lá no horizonte avista-se uma mão acenando,
Desejando o teu retorno ou a tua ida para o encontro de
Novos (velhos) amores
Novos (velhos) desejos
Novos (velhos) sentidos
Novas (velhas) crenças
De ti (surpreso) no mundo imenso

teu corpo inteiro
tua alma intensa