domingo, 11 de novembro de 2007

A casa de asas


Se a janela estivesse aberta
um anjo entraria
varrendo os cantos da vida
soprando de leve as vestes brancas
atrás do pó de esquecimentos

Entre tantos entretantos
A janela fechada esteve
Antes do fim

Cadeados nas frestas
no chão, no teto, nas paredes
no coração

O homem esqueceu que a liberdade
é um tempo depois ou antes do beijo
e do afago na testa
que a liberdade é antes do agir a vontade
que a liberdade está entre a flor e a prece:
é pétala

Não, não se apresse tanto a fechar
Portas e janelas
Os pássaros têm tempos maiores
a descortinar

No entanto
Entre tantos
e cantos mudos
o anjo voou
Sem conhecer por dentro
sua alma

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Amargor (Dedicado às mulheres que sofreram por tanto amar)


Se fosse Kahlo pintaria a dor e as causas
em cores berrantes, pintaria um grito, algumas raivas,
a vontade de dizer sim e não a vossa vontade.
Não seja feita a vossa vontade!
Que seja feita a nossa vontade!
Mas Kahlo. Kalhei.
Então escrevi uns poemas, escrevi uns gritos,
uma minha vontade qualquer de perdão,
a desistência infinda de perdão, uma loucura, a amar-gura, um exorcismo...
Escrevi um aborto,
rasgando o útero,
tirando vossa última passagem
por minha memória genuína
com dor e candura,
Amargor.
Sou Frida
so-Frida...