quinta-feira, 20 de setembro de 2007

"A história da véia"

Eu me casei com uma véia
Pra livrar da fiarada
A véia disimbestada pariu dez
De uma ninhada
Passei mão num cacete
Dei uma polada e matei
Depois da véia morta
Ainda pariu dezesseis

Essa véia num era grande
Era uma véia meon
Dava vinte e cinco parmos
Da pá pra junta da mão

O dentinho dessa véia
Derradeiro do queixá
Dezesseis junta de boi
Num arrancava do lugar

A canela dessa véia
Três coisas se inventou
A canela deu uma barca,
Uma prancha e um vapor

A véia deu uma mijada
Na mata da Ribeira
Derrubou sessenta paus
E vinte e cinco parmeiras
Home, ainda disseram
Que não foi mijada inteira

A véia tava mijando às seis hora da manhã
Quando o menino gritou :_ Vovó quero passar!
“Espera meu netinho, que inda quero mijar"

Mijou o dia inteiro.
Quando feiz às seis da tarde
O menino tornou a gritar: -Vovó, quero passar!
“Passa meu netinho, que inda quero mijar"

O menino foi passando
Até dá água pra nadá.
Morreu no mijo da véia,
Coitadinho, ficou lá

domingo, 9 de setembro de 2007

A grande sátira (ou Divino Deboche)


Estou de fato me esforçando
para não acreditar
que a vida é um blefe
que a vida é senão uma farsa
mal encenada
uma piada de um baita mal gosto
a nos deixar
sempre sem graça
ao final

Patricia Porto

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

SOLIDÃO II


Dentro do freezer, congelada
Nas prateleiras das lojas
Nas bancas de jornais
Nos noticiários mundiais
Na globalizada rede virtual
Seca
Vil
Sacana
Ligo a TV
O rádio, o computador
Ligo pra ela
e Solidão
responde:
Tô congestionada.

Patrícia Porto