sábado, 28 de julho de 2007

SOLIDÃO


A garganta é um corte

E se a goela está seca

O gargalo é a ceia

E se é pra Beber

Se é de Comer

Ou de cuspir

Corpo, corpo, corpo

nu Corpo de mim


Pra Ligar

Desligar

Engordar

Apertar todos os botões

Dessa guerra tão fria

E explodir

O casco

O couro

O fundo

O medo

de exílio

quinta-feira, 19 de julho de 2007

pai,

eu queria te falar dos segredos que guardei
a sete chaves com alguns infinitos e finitos,
te falar de algumas durezas do meu espírito,
da comunhão com os meus amigos
e do amor e da traição que um deles me causou.

queria desvelar aos teus sentidos
o amanhecer do norte
o anoitecer do sul
e o meu tolo deslumbramento com o mundo humano...

as sensações de sentir
com o pensamento,
distante às vezes.

queria te falar
antes que as dores durem
por mais tempo que as alegrias
antes que as mortes cheguem
e anunciem o tempo da minha própria morte

queria eu viver na tua presença
como o último terceiro segredo lúcido
a não ser revelado,
morrer secreto
a fim de não ferir o encanto da fé
que vivi feito sangue e carne e gente

Patrícia Porto

sábado, 7 de julho de 2007

Solidão de amiga

vai guardando
espinhos
na doramiga

São resurgências, dirão.
Ela se foi de tarde.
Tarde se foi, dirão.

Esfriou
A casa

Esfriou
O sol

Esfriou
O sonho

Amornou
A flor

Para aguar e dar

Para aguardar-te
no eu do amor
ou no eu da morte

Ainda é dia.
Morre não, rosa.

Patrícia Porto